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Não caia no conto da mulher completa

Maria Flor Calil

12/12/2017 08h00

A mulher completa é aquela que pode escolher tudo, ter tudo, dar conta de tudo: casamento, filhos, trabalho, boa forma física. Vamos combinar que nem se o dia tivesse 48 horas poderíamos ser bem sucedidas em tantas frentes. Esperar alcançar essa “miragem” é mais uma das formas de sofrimento dos dias de hoje.

Parei para refletir sobre isso quando, há duas semanas, tive a oportunidade de assistir a um debate intitulado “Psicanálise, Mídia e Parentalidade”, no Instituto Gerar, que pretendia discutir a transmissão da psicanálise nos meios de comunicação. Na mesa, as psicanalistas Julieta Jerusalinsky e Vera Iaconelli, e a jornalista Rita Lisauskas discorreram sobre temas atualíssimos: as mães e seus grupos de whatsapp; a forma solitária como a maternidade é exercida hoje; pais destituídos de saber que recorrem à especialistas para tudo; o tempo acelerado em que vivemos, onde esperam que uma mensagem seja lida e imediatamente respondida, entre outros assuntos que provavelmente renderão posts aqui.

Mas, foi lá para o final, que a questão da mulher completa me pegou de jeito. Quem é, onde vive, de que se alimenta esse ser excepcional??

Até a década de 1950, mais ou menos, os papéis masculinos e femininos eram bem definidos e estavam bem pactuados: o homem trabalhava, ganhava o sustento; a mulher cuidava do lar e da família. Quando esse padrão se rompeu, ele trouxe mais liberdade para a mulher fazer o que tinha vontade, e não apenas o que esperavam dela, mas também trouxe uma sobrecarga. Sim, a mulher só fez acumular papéis.

A prova disso são números do IBGE, de 2016, que mostram que nós trabalhamos o dobro do que os homens em casa. Segundo os dados, as mulheres dedicam aos serviços domésticos 20,9 horas semanais e, os homens, 11, 1 horas. Mas se nós já somos 40% da mão de obra brasileira, não estamos apenas trabalhando em casa, certo? Trabalhamos fora, temos, em média, nível de instrução superior ao dos homens e ainda (pasmem) ganhamos menos do que eles para exercer funções equivalentes.

Perceberam a cilada em que caímos??

Não que eu saiba a resposta para nos tirar dessa roubada, porque, se soubesse, estava rica vendendo a fórmula. Mas tenho buscado, em primeiro lugar, não me cobrar tanto. Em segundo, um equilíbrio maior aqui em casa. Isso significa, entre outras coisas, sinalizar todas as vezes em que me sinto sobrecarregada e propor novos arranjos, mas, também, tentar abandonar uma atitude centralizadora e prepotente que pressupõe que só o meu jeito de lidar com as coisas da casa e dos filhos é o certo. Delegar e aceitar o jeito do homem fazer é difícil pra caramba, mas acho, e quero crer, que seja um caminho. A ver…

Sobre o autor

A jornalista Maria Flor Calil, mãe da Teresa e da Julieta, e esperando Francisco, já trabalhou na TV Cultura, na Fundação Roberto Marinho e até foi dona de loja infantil. Depois da maternidade, foi abduzida pelo mundo da maternagem e editou o site da Pais & Filhos, a revista Claudia Filhos e lançou o livro “Quem Manda Aqui Sou Eu – Verdades Inconfessáveis Sobre a Maternidade”. Atualmente, é diretora de conteúdo do Aveq (www.averdadeeque.com.br) e editora de comunicações do Colégio Santa Cruz.

Sobre o blog

Começar de Novo, a música-tema do seriado Malu Mulher (exibido em 1979 e atualíssimo para as questões femininas), é inspiração para a jornalista grávida de um temporão. Um espaço para falar do lado B da maternidade, com uma dose de leveza e outra de profundidade.

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